Sociedade voluntária

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sábado, 24 de março de 2012

Sim, tu!

Sim, é tudo acerca de ti.
É tudo acerca daquilo que és, que podes ser, daquilo que devem ou não deixar-te ser.
É tudo acerca daquilo que fazes, que podes fazer, que deves ou não fazer, daquilo que devem ou não deixar-te fazer.
É tudo acerca daquilo que queres, que podes querer, daquilo que devem deixar-te querer,
é tudo acerca daquilo que tens, do que podes ter, do que deves ter,
é tudo acerca daquilo que não tens, que não podes ter e não deves ter,
é tudo acerca daquilo que sabes, que não sabes e que não podes saber.
Sim, é tudo a “cerca” de ti.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O dia em que a representação da autoridade agrediu o seu verdadeiro governo. - Os cidadãos!

                                                         (foto: Hugo Correia/Reuters)

                                                       (foto Patrícia Melo Moreira, AFP)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Faltando à autoridade de Deus.

O universo parece reger-se por uma autoridade, pelo menos assim crê a maioria dos seres humanos, visto existirem regras que definem e condicionam o seu funcionamento (aparentemente), tendo em conta a profundidade do conhecimento humano.
Os elementos têm certas características e obedecem a determinadas regras que segundo a leitura da humanidade correspondem a estruturas hierarquizadas.
Ao longo dos tempos a humanidade tem construído as suas sociedades com espelho nas interpretações destas observações.
Se a construção cósmica é uma hierarquia autoritária com regras intransponíveis e como tal não sujeitas a discussão, compreensão e aceitação por parte dos seus intervenientes, pelo homem, então o ser humano está desculpado, perdoado, pode repetir os mesmos erros vezes sem conta, reviver os ciclos infinitamente pois a sua voz, a sua acção, o seu entendimento e a sua vontade em nada influenciam a realidade e o desígnio último da mesma.
Somos nesse caso marionetas, em que o limite da nossa acção é determinado pelo comprimento das cordas do todo.
Mas parece, que a autoridade gosta de ser desafiada, permite até uma pequena brecha para que os mais audazes se atrevam a espreitar e ousem contrapor o desafio.
Estamos a presenciar um tempo em que as observações dão lugar a novos conceitos e novas visões do universo, do mundo e das sociedades humanas.
Hoje, o vazio cósmico não o é, a velocidade da luz não é o limite, a matéria não é sólida, a teoria da sobrevivência do mais forte demonstrou não funcionar, o homem continua desigual e o sonho é inerte.
Mas se a construção cósmica não for uma hierarquia autoritária, e tudo o que existe for de livre vontade, se o electrão se movimenta não por obrigação mas por ser aquilo que melhor sabe fazer, correr correr, desenfreadamente, e tanta vontade de correr gera um campo magnético, um orgasmo cósmico permanente.
E se tudo for conforme a nossa vontade?, aí a realidade apresenta-se diferente, o homem não pode repetir os mesmos erros vezes sem conta, tem uma responsabilidade,  um dever e um direito, tem o dever de reunir todo o seu saber, toda a sua vontade e construir a melhor sociedade que puder e também o direito de exigir uma sociedade que seja a melhor que é possível ser com os actuais conhecimentos da humanidade.
Se assim for não existem cordas que nos limitem a não ser as nossas próprias cordas.

domingo, 20 de novembro de 2011

O processo de desmoralização ou…

porque continuamos a precisar da autoridade!

Precisamos realmente de uma autoridade?
Precisam os indivíduos, na realidade, de um governo?
Claro que sim, “alguém” tem de ditar as regras que todos cumprimos, responderão alguns, talvez muitos! Mas é preciso perceber que chegamos a essa resposta porque fomos sujeitos a um processo lento mas eficaz de desmoralização da sociedade.
O homem é um animal de hábitos e estimulável, muito estimulável.
O processo passa por eliminar as construções morais ou seja, as características de carácter, as virtudes, os mecanismos que permitem reconhecer no outro, os mesmos direitos e necessidades que a nós próprios, requeremos nos assista.
O estímulo é simples, transfere-se o desejo interno de realização do ser humano para um objectivo externo, a necessidade de acumulação, hoje quase ninguém trabalha para se realizar, todos trabalham para acumular, possuir capacidade de aquisição, pois o objectivo último da vida não é ser, é ter o mais possível.
Para reforçar mais este facto, torna-se absolutamente imperativo que a sobrevivência esteja directamente relacionada com a capacidade de acumulação numa perspectiva individual, então fornece-se aos indivíduos uma educação estritamente profissional, para que o seu desenvolvimento se limite exclusivamente a essa área e construa um perfil competitivo que o encarrega de ver nos outros um inimigo e, em todos as circustancias, uma batalha que tem que vencer.
Está criada a condição para que o indivíduo dependente da sua acção para sobreviver num contexto onde o imperativo maior é garantir a si próprio, não tem amarras mentais a usar todos os meios disponíveis na perseguição do objectivo.
É a partir deste ponto que as pessoas perdem a capacidade de se auto-regular, disciplinar e consciencializar da intenção do acto humano e da soberania individual.
Lembro o tempo dos avós em que transacções entre pessoas eram fechadas com um compromisso de honra.
Que é feito desse ser humano o qual uma palavra o comprometia e cumpria até sobre um manto de sacrifícios, esse que tendo só uma sardinha a dividia com outro ou como alguém disse recentemente, esse que pedia desculpa.
Que é feito da honestidade, do orgulho saudável, da solidariedade, do voluntarismo, da humildade?
 Neste caminho é óbvia a continuação e aumento da necessidade e intervenção de uma autoridade, que crie regras para “todos”.
Quanto menor a qualidade do carácter, menos virtudes o individuo possuir, mais precisa de uma autoridade externa, mais dependente fica e menos livre é e com isso a presença sempre crescente de quem lhe vai ditar as regras e cobrar por isso.