porque continuamos a precisar da autoridade!
Precisamos realmente de uma autoridade?
Precisam os indivíduos, na realidade, de um governo?
Claro que sim, “alguém” tem de ditar as regras que todos cumprimos, responderão alguns, talvez muitos! Mas é preciso perceber que chegamos a essa resposta porque fomos sujeitos a um processo lento mas eficaz de desmoralização da sociedade.
O homem é um animal de hábitos e estimulável, muito estimulável.
O processo passa por eliminar as construções morais ou seja, as características de carácter, as virtudes, os mecanismos que permitem reconhecer no outro, os mesmos direitos e necessidades que a nós próprios, requeremos nos assista.
O estímulo é simples, transfere-se o desejo interno de realização do ser humano para um objectivo externo, a necessidade de acumulação, hoje quase ninguém trabalha para se realizar, todos trabalham para acumular, possuir capacidade de aquisição, pois o objectivo último da vida não é ser, é ter o mais possível.
Para reforçar mais este facto, torna-se absolutamente imperativo que a sobrevivência esteja directamente relacionada com a capacidade de acumulação numa perspectiva individual, então fornece-se aos indivíduos uma educação estritamente profissional, para que o seu desenvolvimento se limite exclusivamente a essa área e construa um perfil competitivo que o encarrega de ver nos outros um inimigo e, em todos as circustancias, uma batalha que tem que vencer.
Está criada a condição para que o indivíduo dependente da sua acção para sobreviver num contexto onde o imperativo maior é garantir a si próprio, não tem amarras mentais a usar todos os meios disponíveis na perseguição do objectivo.
É a partir deste ponto que as pessoas perdem a capacidade de se auto-regular, disciplinar e consciencializar da intenção do acto humano e da soberania individual.
Lembro o tempo dos avós em que transacções entre pessoas eram fechadas com um compromisso de honra.
Que é feito desse ser humano o qual uma palavra o comprometia e cumpria até sobre um manto de sacrifícios, esse que tendo só uma sardinha a dividia com outro ou como alguém disse recentemente, esse que pedia desculpa.
Que é feito da honestidade, do orgulho saudável, da solidariedade, do voluntarismo, da humildade?
Neste caminho é óbvia a continuação e aumento da necessidade e intervenção de uma autoridade, que crie regras para “todos”.
Quanto menor a qualidade do carácter, menos virtudes o individuo possuir, mais precisa de uma autoridade externa, mais dependente fica e menos livre é e com isso a presença sempre crescente de quem lhe vai ditar as regras e cobrar por isso.