Quando poucas, raras vezes a conversa consegue chegar ao ponto em que se manifesta o interesse em aprofundar um pouco mais o assunto - e não se pense que se reflecte apenas nas classes mais baixas, teoricamente menos esclarecidas, pois foi-me recentemente cortada a palavra com a frase: - Ok, vamos lá então descer á terra!
Proferida por pessoa com formação e de boa condição de vida, prova o quão condicionado está o pensamento e a profunda e anti-catalizadora consequência da ausência do sonho como elemento de progresso.
Mas como dizia, nas raras vezes em que se ouve o - então diz-me lá, a expectativa é a de que se explique na frente de uma refeição, em pormenor e detalhe, o universo desde o big bang, intercalado entre garfadas e sorvos de tinto.
Se inicío a coisa de forma mais poética, “tipo” - O homem não é um homem, mas uma larva de homem, o espaço para progressão da explicação fica reduzido á doce e simpática categoria de irrealismo, não pragmático e idealista, se por outro lado apresento a negrura da exploração do homem pelo homem a explicação é cerceada por uma posição de inevitabilidade intrínseca ao sistema, do qual o ser humano dificilmente ultrapassará por condição própria, limitada, é o argumento de – as pessoas são mesmo assim, contrapor que as pessoas são um misto de genética e meio-ambiente e que mesmo a genética é um misto de originalidade e meio-ambiente, assemelha-se a navegar contra uma intempérie dentro de uma banheira.
O princípio é o seguinte:
Imaginemos uma sociedade, um colectivo de indivíduos a quem se permite fazer só o que querem, ninguém será obrigado a despender uma caloria que seja contra a sua vontade, o que resultará de uma construção desta natureza, tenderá para o desequilíbrio e como tal para a ineficiência e rápida auto destruição ou pelo contrário tenderá para a progressiva auto organização e sustentabilidade do colectivo?
Em minha opinião a segunda hipótese é a resposta e porquê? Por duas razões, primeira de ordem pragmática, a necessidade, que estimula o homem a realizar e a procurar realizar mais com menos esforço, será sempre objectivo fazer mais com menos esforço, a segunda de ordem digamos que metafisica, pois o conjunto de acções possíveis de realizar individualmente acrescenta sempre ao colectivo, aliás parece pouco provável que uma acção individual no seio do colectivo não reflita no mesmo, apenas as acções de violência não contribuem directa ou indirectamente para o colectivo, (no sentido da continuidade imediata da progressão, pois até a destruição é elemento organizativo).
Procuro o vosso parecer, o que pensam sobre a questão, a ausência completa de regras conduz ao caos ou à auto organização?
