De certa forma sempre presente no trajecto percorrido
permeia uma tentativa de construção artificial da ordem primordial, a ordem
que garante o pertencimento justo a tudo quanto existe ainda que não
consciente, mas agora no Homem fluido, de forma voluntária, intencional,
consciente e até esperançosa, desejosa e ambiciosa.
O percurso trouxe-nos do cosmos á terra e como tal o Reino
já não é dos Céus mas sim da Terra e nesta todas as batalhas se travarão para
que esta tenha o seu próprio Deus.
O Deus da Terra é o Deus da materialidade, Deus dos
corpos, dos sentidos, dos desejos, da uniformidade, é o Deus Pan.
O Deus Pan é a
passagem do elitismo Platónico para o elitismo sensorial, as grandes massas
presas á religião do corpo-matéria como única determinação da existência e
alguns, poucos, dirigindo-lhes a ânsia nesse nirvana estético-consumista que demanda
rituais de pertença em conformidade.
Pan é o uno material, a aglomeração dos recursos, a concentração
da produção, a selecção natural nas mãos do Homem.
Pan é inevitavelmente o Deus da matéria pois dela foi
eleito para governar os corpos em uniformidade, é Pan que sustenta tudo quanto existe,
do sistema financeiro ás grandes industrias, dos transportes á agricultura, da
informação á cultura, do teu presente ao teu futuro.
Pan apresenta-se igual a ti, presta-te um serviço que
melhora a tua vida, sem o qual não saberias como viver, conhece-lo bem, está em
todo lado, aparece na televisão, trata-te por tu, tão bem te conhece, é o teu Deus
e o teu dono.
Pan é ... o teu prestador de serviços, é a Pan-Corporação ou simplesmente
PAN, a origem de tudo o que suporta a vida dos seres humanos, os donos de tudo
o que suporta a vida dos seres humanos.
Pan agrada-te e tu agradas a Pan mas se um dia assim não
for o que fará Pan quando dependeres de tudo o que ele possui para viveres?