Sociedade voluntária

Sociedade voluntária

quinta-feira, 17 de maio de 2012

As bases de um novo paradigma.

O actual sistema assenta entre outros, em dois conceitos básicos, e suas interpretações, a matéria e as relações na e da alteração (produção) da matéria.
Porque desde o início dos tempos tudo o de mais vital foi a sobrevivência, dos indivíduos que compõem a espécie, sempre e ainda hoje o é, por mais dissimulada que esteja por inovações teórico-práticas, económicas ou politicas, por elegantes ou não manifestações de civilização das sociedades, o imperativo da sobrevivência é o mais poderoso impulso básico existente no ser humano.
O Homem realizou um grande percurso desde as cavernas, passando pelo domínio da agricultura e a criação de animais, ao domínio da mecanização e agora na compreensão e domínio do átomo.
Pois é precisamente esta última façanha do Homem o conhecimento e inicial domínio do átomo que está na origem de um novo paradigma de construção das sociedades humanas.
Essencialmente e apesar de todos os capítulos evolutivos, o conceito-raiz de fundação das sociedades permanece inalterável, a noção de matéria, e por conseguinte todas as relações daí derivadas, que na realidade são praticamente todas, todas as relações existentes são relações de material e de outra forma não poderia ser tendo em conta que se substanciam na presente enunciação de matéria.
A revolução, foi-nos oferecida pela ciência, a sua disseminação é tarefa dos mais esclarecidos e a sua implementação responsabilidade de todos, a ciência diz-nos hoje que a tradicional “radiografia” da matéria não corresponde á realidade, a matéria não é a matéria que originalmente nos ensinaram, que a matéria de certa forma não existe, ou seja não tem solidez, a matéria não é solida, a matéria é nada mais que um conjunto de interacções energéticas no palco dos nossos sentidos, e esta nova teoria da realidade muda tudo, absolutamente tudo, muda não só a nossa perspectiva , mas também a nossa ordem de prioridades, porque se a matéria não tem consistência e é o conjunto de interacções que lhe confere a possibilidade de ser, então o importante, o fundamental, o que causa a probabilidade de o ser são as interacções, o factor primordial para que surjam coisas, resultados, matérias, então a matéria não é o inicio mas o seu resultado, então tudo o que se requer para criar é interagir.
Com este novo entendimento é possível construir o tal novo paradigma, no qual a liberdade de criar (a interacção) é mais importante que a solidez (proveito) da matéria.
Com base no novo conceito de matéria construir-se-ão novas relações de produção em que aí sim surgirão desligadas da matéria como raiz e fundeadas na prevalência das interacções.

domingo, 13 de maio de 2012

Quanto tempo o tempo tem?

No convencimento de que o tempo não existe, não conforme habitualmente o classificamos.
Se por observação da envolvente, organização da existência e da actividade do ser humano houve necessidade de conferir uma sequência entendível, observável e até de certa forma previsível, o chronos nada mais é do que a segmentação do movimento, do perpétuo movimento cíclico que constitui a natureza do todo em nada mais nada menos que novos ciclos, ciclos dimensionados á escala dos movimentos do Homem.
Iludido pela constante alteração da realidade no perpétuo movimento de todas as coisas, desde o ciclo dia/noite, o ciclo das estações, o ciclo nascimento/morte, pelo sintomático processo de envelhecimento, pelo relacionamento da acção com o seu mapeamento entendível, sequencial, pela memorização do já realizado e da vontade do por realizar, o fracionamento do movimento deu origem aos conceitos de passado e futuro.
Na tentativa de procura da fronteira entre o presente e o passado ou o futuro, onde se encontra esse limite?, essa divisão que permite separar um momento dos outros, dividamos o ultimo segundo do presente em micro-segundos ou nano-segundos, qual deles pertence ao passado ou ao momento seguinte do futuro?
Isolado da percepção dos movimentos cíclicos de tudo quanto existe, nada mais permanece que o eterno presente, o passado a memória de acontecimentos realizados, o futuro a vontade, a ansiedade e a expectativa de novas realizações programadas na organização sequêncial e entendível.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Claramente! Tudo está bem quando acaba bem!

Sem-abrigo condenado a multa de 250 euros pelo furto de polvo e champô

Crime por corrupção prescreveu para Isaltino Morais

Obsoletismo.

                                           Imagem retirada da net



Vem a propósito do automóvel, a contribuição do automóvel para o progresso e desenvolvimento das sociedades já teve o seu pico, o seu contributo de importância à muito teve lugar, o transporte individual como factor impulsionador do futuro terminou, não vejo um lugar de destaque para o veiculo individual num futuro que não seja como brinquedo tecnológico ou representação de um capítulo do progresso.
O seu ímpeto dinamizador terminou, o seu contributo esgotou-se, a sua era, já era.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Projecto Anarquinta.

                                           Imagem retirada da net



A ideia revolve-me a mente desde 2008, estou preparado para a concretizar, faltam-me os meios.
O conceito consiste em criar uma relação sinergética, de simbiose, um relacionamento o mais livre possível entre quem produz e quem consome, em traços largos é desenvolver um local em modo biológico de produção agrícola por forma a proporcionar a garantia de sustentabilidade da produção e a qualidade e quantidade a quem consome, num outro formato  e de características que não os tradicionais canais de comercialização, uma relação directa entre o produtor e o consumidor.

Procuram-se sugestões sobre como encontrar formas de angariação de meios para a concretização do projecto.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O símbolo e a condição humana.

O simbolo tem como particular característica, como primordial efeito, tornar consciente de forma rápida, imediata e objectiva uma mensagem, uma razão, um sentido, existe embrionado entre o símbolo e o individuo um código que permite a identificação e a assunção do conceito, da característica e até, ou sobretudo, do valor da expressão em causa.
O significado do símbolo, ao ser reconhecido permite a sua valoração, a sua continuidade por forma a que conscientemente se mantenha vivo, latente mas parte de uma condição, a relativização do significado do símbolo, a sua adulteração ou subestimação comporta de facto a anulação da identificação para com o seu significado permitindo progressivamente o desaparecimento da sua materialização.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

É urgente massificar a alternativa.




É urgente massificar uma alternativa, tornar claro que existem outros caminhos, outras formas de conduzir a sociedade, de resolver o presente, impedir a germinação da inevitabilidade antes que seja tarde.
É preciso informar, esclarecer mas sobretudo demonstrar com "frutos" que essa alternativa é real, que as pessoas sintam que existe, que não se trata apenas de construções teóricas, de oposição ou demagogia, é que as massas começam a interiorizar que verdadeiramente não há outra solução para resolver a situação e essa rendição é uma profecia auto-realizável.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ainda o 1º de Maio no Pingo Doce!

Não é só um atentado aos direitos dos trabalhadores, não é só um ataque ás pessoas, é uma traição à civilidade, aproveitar as dificuldades em que as pessoas vivem, aproveitar as necessidades de sobrevivência das pessoas para as transformar em verdadeiros animais é inadmissível.

Estão declaradas abertas as hostilidades!



O desconto mais caro das nossas vidas!

Sou obrigado a prestar vassalagem,  pela demonstração de poder, pela  frontalidade do acto, pelo brilhantismo do simbolo, pelo uso da necessidade como arma, pela declaração de guerra.

A génese autofágica do capitalismo

O capitalismo, podemos definir de forma básica como o sistema económico no qual o factor monetário, o capital, possui predominância em relação aos outros elementos que constituem um modo de produção.
No modo de produção capitalista outros factores de produção, nomeadamente o trabalho e os recursos naturais são considerados instrumentos ao dispor do fim último de gerar mais capital, o lucro ou mais-valia.
O lucro ou mais-valia consubstancia-se em acumulação de capital que tende à sua maximização e como tal o condicionamento dos outros factores de produção é imperativo.
Este facto é perceptível no que aos recursos naturais diz respeito, pela forma indisciplinada e predadora como são tratados tanto os recursos virgens como os desperdícios resultantes da produção selvagem.
Na sua odisseia pela maximização do lucro, o capitalismo industrial descura não só os recursos e o equilíbrio ambiental como também outro factor tão ou mais importante e que designamos por trabalho e que é a participação humana na transformação da matéria de forma a servir as suas necessidades, na fase inicial do capitalismo industrial o lucro era obtido através do aumento do horário de trabalho que possibilitava a produção de maior quantidade de produtos mas com o advento da eficiência tecnológica e da automação a intervenção humana na produção tem vindo a diminuir, de forma que é previsível que o trabalho no seu conceito tradicional, repetitivo e de retribuição por hora não mais existirá, paralelamente ao advento da tecnologia, o capitalismo industrial tende também como forma de maximizar os lucros a desvalorizar o valor hora do trabalho ainda existente, conjugando a máxima produção pela tecnologia com o mínimo custo da participação humana.
É a constante maximização do lucro, quer por aumento da produção via tecnologia, que conduz a menos participação humana, quer pela redução dos salários, que alberga o gene autofágico do próprio sistema, pois o aumento da produção requer obrigatoriamente o aumento da capacidade de consumo, é que um bem não vendido/comprado/consumido não produz lucro.
Podemos dizer que no modo de produção capitalista o valor pago ao trabalho na produção de um bem é sempre inferior ao valor de mercado desse bem o que quer dizer que em cada momento nunca existe a capacidade de consumo da totalidade dos bens produzidos, criando assim um hiato, um diferencial que o incremento tecnológico viria a suprimir não fossem a redução dos salários, o aumento da mais-valia e os impostos.
O gene autofágico do capitalismo industrial reside no facto de que a redução dos custos de produção com intuito de maximizar o lucro conduz inevitavelmente ao colapso pela redução simultânea da capacidade de consumo dos bens fabricados.
Mas não se pense que foi dita a ultima palavra do capital, reconhecendo o gene contido em si e que esgotaria a participação do capital na industria, rapidamente se preparou para perpetuar o seu domínio de uma outra forma, de forma a que, a matéria, limite ao crescimento exponencial, não interviesse condicionalmente na acumulação de capital, na geração de mais-valia, na continuidade da primazia da “espécie monetária”, de forma a tornar-se auto-reprodutivo, o capitalismo financeiro.
Seguindo-se à tendência de esgotamento do lucro industrial, a perpetuação do sistema só seria viável por desanexação à matéria, construindo um universo muito próprio, o universo financeiro e conseguiu esse objectivo com  a abolição da paridade com o ouro, permitindo assim um re-inicio de ciclo na acumulação de capital, um re-inicio em que o capital se auto-reproduz financeiramente em construções virtuais e especulativas.
Mas o gene, esse continuou e continua presente.    

segunda-feira, 30 de abril de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Eles têm medo!

Sim, eles têm medo, medo que as pessoas se organizem, medo que as pessoas se agrupem em comunidades autogeridas, que as pessoas suprimam mutuamente as suas necessidades, medo que se tornem independentes, mais responsáveis, mais exigentes, que deixem de estar dependentes do isco da esmola, que comecem a pensar que podem ser livres, que sonhem, que tornem o sistema dispensável e que com isso eles sejam prescindíveis.
É esse o maior medo, que se tornem prescindíveis!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O sonho comanda a vida!

                                           Imagem retirada da net




No dia em que abandonarmos o sonho, acordaremos num pesadelo!

domingo, 22 de abril de 2012

Devaneios...

Se simplisticamente reduzíssemos o universo a uma palavra, qual a que melhor explicaria o todo, a realidade e o ainda desconhecido, a matéria e a energia, os processos e os resultados, o visível e o imperceptivel, a origem, o caminho e o eventual ponto de chegada.
Movimento é talvez a melhor, se uma palavra apenas fosse possível usar, movimento seria a que melhor se adaptaria à tentativa de explicar a essência de tudo o que existe.
Movimento implica mudança, paradoxalmente implica constante mudança, como disse Heráclito de Éfeso “ a única constante é a mudança”, implica alteração, implica progresso no sentido de continuidade, de não estagnação, implica experimentação, conhecimento, evolução.
Se movimento implica obviamente mudança, movimento cíclico, mais um paradoxo, implica não mudança, no sentido da repetição do movimento e representa de certa forma uma conjunção antagónica.
O movimento cíclico parece garantir a consistência da continuidade, parece incorporar uma condição, essa que possibilita que a repetição favoreça o processo de continuidade de mudança do próprio movimento.
O movimento cíclico, a repetição, aparentemente parece permitir a possibilidade da não repetição afim, como que sujeitando a experiência (o próprio movimento) à adjunção do experimentado criando assim o processo evolutivo.
A evolução, movimento cíclico incorporando qualidades do experimentado repete sem nunca se repetir, repetindo desde o original movimento mais simples de volta ao movimento mais simples passando pela maior complexidade.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Contra os canhões, batatas e feijões!




"we have reached the bottom of our lives.... now we want to think in a different way." - Diz um cidadão grego

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Liberdade, a ultima fronteira - 2ª parte



Existe uma distinção a fazer para se perceber o significado de liberdade, a liberdade profunda, a liberdade que brota da essência do ser humano e essa destrinça é entre individualidade e individualismo.
Individualidade é o conjunto de características que compõem e definem o ser humano, como gostos, vontades, desejos, capacidades ou vocações, na essência o conjunto de características que manifestadas em proporções variadas tornam cada ser humano uma unidade diferenciada na sua igualdade maior.
Individualismo é o modelo de uso (uma forma de utilizar) dessas características de modo egocêntrico ou seja tendo em conta só e apenas a unidade possuidora e desempenhante dessas características, o individualismo não reconhece no outro a mesma condição e como tal o mesmo direito, enquanto a individualidade vê no outro o conjunto de caracteristicas que requerem direito a manifestar-se.
Para melhor perceber o significado de liberdade é preciso perceber que este modelo, o individualismo, não é na sua totalidade uma característica inata ao ser humano, pelo contrário é na sua maioria o resultado de condições externas ao ser, é o resultado de estímulos diversos que vão desde a educação, padrões impostos, razões de identificação com os parâmetros vigentes do colectivo até à interiorização da formatação dos instrumentos exigidos à sobrevivência.
Outra questão que é preciso entender é que nenhum colectivo resulta, de forma sustentada e duradoura, de participações individuais forçadas ou impostas.
O paradoxo é precisamente o de que um colectivo é o resultado da intervenção voluntária, livre, dos indivíduos que o compõem, de outra forma, como força viva que é, o colectivo tende à desintegração, só a permutabilidade da acção livre permite a continuidade.
Nenhum individuo pertence produtivo (no sentido de contribuir com a sua melhor acção) por tempo indeterminado de forma forçada ou imposta, nem incluído numa acção com a qual não se identifique ou não retire bem-estar e realização.
Por muito paradoxal que possa parecer, o colectivo não requer algum tipo de sacrifício ou subjugação a uma entidade maior que o individuo, o colectivo resulta da melhor acção, da acção que torna cada individuo mais feliz e essa é a expressão da individualidade.   

segunda-feira, 9 de abril de 2012

E da liberdade absoluta da acção não resulta a supressão das necessidades?





Quando poucas, raras vezes a conversa consegue chegar ao ponto em que se manifesta o interesse em aprofundar um pouco mais o assunto - e não se pense que se reflecte apenas nas classes mais baixas, teoricamente menos esclarecidas, pois foi-me recentemente cortada a palavra com a frase: - Ok, vamos lá então descer á terra!
Proferida por pessoa com formação e de boa condição de vida, prova o quão condicionado está o pensamento e a profunda e anti-catalizadora consequência da ausência do sonho como elemento de progresso.
Mas como dizia, nas raras vezes em que se ouve o - então diz-me lá, a expectativa é a de que se explique na frente de uma refeição, em pormenor e detalhe, o universo desde o big bang, intercalado entre garfadas e sorvos de tinto.
Se inicío a coisa de forma mais poética, “tipo” - O homem não é um homem, mas uma larva de homem, o espaço para progressão da explicação fica reduzido á doce e simpática categoria de irrealismo, não pragmático e idealista, se por outro lado apresento a negrura da exploração do homem pelo homem a explicação é cerceada por uma posição de inevitabilidade intrínseca ao sistema, do qual o ser humano dificilmente ultrapassará por condição própria, limitada, é o argumento de – as pessoas são mesmo assim, contrapor que as pessoas são um misto de genética e meio-ambiente e que mesmo a genética é um misto de originalidade e meio-ambiente, assemelha-se a navegar contra uma intempérie dentro de uma banheira.
O princípio é o seguinte:
Imaginemos uma sociedade, um colectivo de indivíduos a quem se permite fazer só o que querem, ninguém será obrigado a despender uma caloria que seja contra a sua vontade, o que resultará de uma construção desta natureza, tenderá para o desequilíbrio e como tal para a ineficiência e rápida auto destruição ou pelo contrário tenderá para a progressiva auto organização e sustentabilidade do colectivo?
Em minha opinião a segunda hipótese é a resposta e porquê? Por duas razões, primeira de ordem pragmática, a necessidade, que estimula o homem a realizar e a procurar realizar mais com menos esforço, será sempre objectivo fazer mais com menos esforço, a segunda de ordem digamos que metafisica, pois o conjunto de acções possíveis de realizar individualmente acrescenta sempre ao colectivo, aliás parece pouco provável que uma acção individual no seio do colectivo não reflita no mesmo, apenas as acções de violência não contribuem directa ou indirectamente para o colectivo, (no sentido da continuidade imediata da progressão, pois até a destruição é elemento organizativo).

Procuro o vosso parecer, o que pensam sobre a questão, a ausência completa de regras conduz ao caos ou à auto organização?